O Cheiro do dinheiro.


Era da venda do pescado que o dinheiro entrava naquela casa. Vinha da lota em sacos de plástico transparente, todo amarfanhado e a cheirar a peixe. era preciso alisá-lo, separá-lo por valores e arrumá-lo no cofre.

Um dia o tio Victor, viu os sacos de dinheiro em cima da mesa da marquise, e não resistiu; tirou algumas notas que guardou nos bolsos das calças e do casaco. Depois foi-se embora.
Acabado o almoço, o avô deu por falta das notas, e perguntou se alguém ali tinha mexido.

Eram sete da tarde quando o Victor voltou.

Vinha a assobiar, quando o avô lhe deu um murro que o projectou para debaixo da mesa.

– Então tenho ladrões na minha casa?
– Onde é que está o dinheiro?
– Roubas-me e ainda entras aqui a assobiar!!!

Depois desapertou o cinto e o tio Victor pagou por todas.

Foge Maria !!! Foge !!!

Estávamos na sala de entrada. Ali ouvíamos telefonia, conversávamos e faziam-se pequenas refeições.

De repente o meu avô pediu à minha avó que lhe fosse buscar os cigarros ao bolso do casaco;
 
– Onde deixaste o casaco?
– Está no nosso quarto no cabide.

Ela hesitou.
 
– Vai lá Maria… vai.

O corredor da sala ao quarto media oito metros e ela conforme avançava ia acendendo as luzes.
Quando acendeu a luz do quarto, o relógio começou a bater as badaladas da meia noite.
 
– Foge Maria!!! Foge!!!
– Olha o padre!!! ele vem atrás de ti!!!

E ela fugiu… Espavorida, tinha um medo terrível daquele quarto.